Trilogia “Antes do Amanhecer” – “Antes do Anoitecer” – “Antes da Meia-noite.”

2 ago

Fechou-se o ciclo da trilogia romântica de Richard Linklater – 18 anos depois de Antes do Amanhecer e após o regresso em 2004 com Antes do Anoitecer, eis que chega Before Midnight (Antes da Meia-Noite).2

Para entender o que significa “Antes da Meia-Noite” é preciso uma breve volta no tempo. O ano era 1995, quando “Antes do Amanhecer” revolucionou o cinema romântico independente americano, com um estilo europeu de roteiro e narrativa. Um rapaz americano conhecia uma jovem francesa numa viagem de trem até Paris, que era interrompida em Viena para que os dois pudessem se conhecer mais e conversar por um dia inteiro até a manhã seguinte. A obra chamava a atenção pela veracidade, e por diálogos que reproduziam a forma como as pessoas realmente falam, sem nunca soar como palavras de personagens em um filme.

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O final ambíguo com os jovens se despedindo após o dia mais perfeito de suas vidas, e a esperança de se reencontrarem no ano seguinte como prometido, por não quererem começar um relacionamento à distância fadado ao fracasso, era a cereja em cima do bolo. Mais uma vez demonstrava realismo e maturidade, longe do final feliz de conto de fadas que geralmente permeia o cinema americano. O filme é prezado desde o seu lançamento como um dos mais originais do gênero, e grande favorito dos cinéfilos. Mas nada anunciava que teria uma continuação. Quase dez anos depois e Linklater, Hawke e Delpy resolvem revelar ao público o que de fato aconteceu não apenas um ano depois do encontro de Jesse e Celine, como também de que forma suas vidas seguiram nesse tempo.

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Dessa vez com o casal de atores participando do roteiro também, somos levados para uma volta pelas ruas de Paris, cidade natal da protagonista, quando Jesse escreve um livro sobre os acontecimentos daquela noite especial. E assim surge em sua frente o assunto de sua obra literária, para mais um dia de muita conversa significativa. Tão relevante quanto o primeiro, “Antes do Pôr do Sol” nos coloca a par de como estão as vidas desses personagens tão queridos do público, numa década totalmente nova. Seu reencontro é igualmente impactante, e ao mesmo tempo em que a nostalgia daquele dia em Viena toma conta, a realidade do presente entra em jogo, com Jesse agora casado e com um filho pequeno.

A questão de “o que poderia ter sido” se faz mais do que presente, e a continuação do adorado filme se torna fascinante. O desfecho novamente se torna ambíguo quando Jesse segue adiando seu voo, para no final nos deixar sem saber se voltou para casa ou resolveu tentar a vida ao lado daquela noite muito especial. Celine termina dançando num dos finais mais memoráveis do cinema.

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Agora, somos levados para o que aparenta ser a conclusão dessa saga romântica com a dupla já casada e com filhas pequenas. Igualmente uma interminável sucessão de diálogos significativos (que faz uso de muita discussão de relacionamento agora), o novo filme também se destaca como obra-prima, e funciona não apenas dentro da mitologia criada para a série, mas como um dos melhores e mais interessantes filmes sobre relacionamento dos últimos anos. “Antes da Meia-Noite” é desde já um dos melhores filmes de 2013.

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Enquanto os dois primeiros filmes deixam no ar aquela aura de “alma-gêmea’ – a despeito dos diálogos realistas de seus personagens – o terceiro mostra mais as técnicas de negociação, concessão e autoengano que cada um faz. A culpa por um filho do outro casamento, que mora longe. O casal é admirado por gerações de cinéfilos, e parte desse fascínio se dá pela identificação com seus dilemas.

O romantismo cinematográfico pode ser apenas uma fonte de idealização. E de infelicidade. Mas pode também ensinar que as relações humanas, embora imperfeitas, podem contribuir para uma vida mais feliz. Ainda que não enquadrada em um modelo.

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Link para download:

Antes da Meia-noite – http://www.omelhordatelona.biz/genero/romance/4017-antes-da-meia-noite.html

 

“O mundo nos manda lixo. Nós mandamos de volta música.” – Flavio Chavez

11 jul

À primeira vista parece impensável. Mas um grupo de jovens paraguaios tratou de tornar esta ideia real. Los Reciclados é uma orquestra que toca com instrumentos feitos a partir do lixo.

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A orquestra Landfill Harmonic ou Los Reciclados, como é conhecida na região, utiliza apenas instrumentos reciclados, os quais já foram tocados na Europa e também na conferência Rio+20. O grupo faz parte de um projeto maior chamado Sonidos de la Tierra, que promove o aprendizado de música clássica a vários jovens de comunidades carentes no Paraguai. No ano passado, para comemorar os 10 anos do projeto, seus membros – inclusive a Landfill Harmonic – se reuniram para formar a Orquestone, uma homenagem à também comemoração dos 50 anos dos Rolling Stones. Dá pra ver aqui os milhares de violinos interpretando lindamente Satisfaction.

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Landfill Harmonic” é o filme que retrata a história de como uma boa ideia pode mudar a vida das pessoas. Em Cateura (Paraguai), os habitantes costumam vender os objetos que são atirados para o lixo. Mas um grupo de crianças e adolescentes aproveitam os desperdícios para criar instrumentos e fazer música. Por exemplo, o violino é feito de bidões de óleo e madeira e o saxofone de tubos de água, tampas metais, botões de plástico, colheres e garfos.

A ideia inovadora foi desenvolvida por Favio Chavez, diretor e fundador dos Los Reciclados, e não podia ter sido melhor recebida entre os jovens. “Nós recebemos lixo e, em troca, produzimos música”“Sem a música eu estaria perdido por aí” e “Quando ouço o som do violino sinto que tenho borboletas a voar no meu estômago” são algumas das reações.

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Para além da vertente musical, o filme pretende chamar a atenção para temáticas fundamentais do nosso quotidiano como a pobreza, a reciclagem, a poluição e o desperdício de resíduos. Entretanto, a Kickstarter quer levar a orquestra a fazer uma ‘Tour’ mundial para divulgar este projeto, e se quiseres,  podes ajudar. Vê aqui como o poderá fazer.

Download: Freaks and Geeks

29 jun

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Procurando uma música que não saía da minha cabeça e me deparo com esta série. Admito que depois me senti bastante triste, pois a mesma possui apenas UMA única temporada!

Freaks and Geeks estreou em setembro de 1999, na rede norte-americana NBC, e conta a história de Lindsay (Linda Cardellini, mais conhecida como a Samantha de ER e affair do Dr. Kovak), uma adolescente que está no ensino médio e em crise de identidade. Considerada uma geek (em tradução livre, uma nerd, cdf etc) ela decide, depois da morte da avó, que a vida é muito curta para ficar estudando e não aproveitar nada.

Dessa forma, ela acaba tornando-se amiga de Daniel Desario (James Franco ainda no início da carreira), um bad boy que não liga para opinião de ninguém e não quer nada da vida. Quase que instantaneamente os caras do círculo de Daniel adotam Lindsay. Ken (Seth Rogen) e Nick (Jason Segel) são algum deles, e principalmente o último logo mostra um certo interesse na confusa novata do grupo. Mas Lindsay ainda tem que enfrentar Kim (Busy Philips) dedicada a infernizar a vida dela, isso porque ela cismou que Linds está tendo um caso com Daniel.

Em paralelo o seriado também conta a história de Sam (John Francis Daley, o Dr. Sweets de Bones!), irmão de Lindsay. Ele é um garoto franzino que vive sendo aterrorizado por outros garotos, exatamente por ser mais fraco.

E para aguentar a dura realidade há ainda Neal (Sam Levine, o Hirshberg de Bastardos Inglórios) e Bill (Martin Starr, o James Masseling de Super Bad), dois geeks que são viciados em “Jornadas nas Estrelas” e companhia, e assim como Sam também sofrem por não serem bonitos, mas mais inteligentes que a média.

O roteiro é bem real e mostra que as coisas não são tão preto no branco como a maioria dos seriados descreve a vida dos adolescentes. O texto representa a fase em que a maioria das pessoas iniciam uma crise de identidade, não sabe quem são, ou o que deveria te definir como pessoa. Sem esquecer que as pessoas sempre se questionam qual é o seu lugar nessa pequena sociedade que é a escola.

Foi provavelmente por causa disso que o programa foi cancelado. Por passar uma história tão próxima da verídica, acaba por não mostrar o conto de fadas que todos querem ver na TV, principalmente nas grandes redes como a NBC.

E não é de espantar que os atores da série viessem a crescer em todos os tipos de meios, desde a TV até o cinema. A própria protagonista, Linda Cardelinni, ficou conhecida por participar de seriados. E outros protagonizaram dezenas de filmes, são eles: James Franco, Seth Rogen, Jason Segel, John Daley, Sam Levine e assim vai.

Isso, em parte, pode vir da escalação de um dos produtores do seriado, o agora famoso roterista e diretor, Judd Apatow, responsável pelas comédias cinematográficas da atualidade: Segurando as Pontas (The Pinapple Express – com James Franco e Seth Rogen), Superbad, Ligeiramente Grávidos (Knocked up – com a Katherine Heigl e Jason Segel) e outros que fazem parte de uma lista imensa!

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E ainda é preciso comentar que “Freaks and Geeks” tem uma trilha sonora perfeita de abertura – Bad Reputation, cantada pela legendária Joan Jett (sim, a mesma que tocou no Lollapalooza). E assim como os shows, o Multishow também exibiu todos os episódios (são apenas 18) da única temporada do seriado. Os mesmos também podem ser vistos através de um canal do Youtube,no entanto, não estão legendados.
Link Piloto
Download completo da 1ª temporada
Também tem o torrent das músicas que aparecem, a melhor trilha sonora de um seriado na minha opinião!
Torrent

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Tumblr do dia: Volta a dormir, Brasil.

25 jun

Então como existe tumblr para tudo quanto é situação, descobri um com a nata dos protestos: http://voltaadormirbrasil.tumblr.com/

Com o despertar do “Gigante”, o povo está saindo às ruas com ideias  boas, realmente passíveis de apoio, porém, outras não são tão boas assim.

- Não, mas cada um tem direito à manifestação dos seus pensamentos, certo?

Por favor, parem de ter essas ideias de girico, vai pras ruas? Vá com propostas sérias, não apenas para dar uma de palhaço, querer micareta ou coisa e tal.

O tumblr Volta a Dormir, Brasil reúne as fotos de cartazes e manifestações na internet que são ora muito radicais, ora simplesmente tontas. Separamos algumas ótimas para vosso deleite, mas não é pra ter ódio da humanidade, tá?

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É a ultima moda!

 

homofobia com homofobia

Preconceito com preconceito?

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Compre logo seu Kit!

9  Sem comentários…

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Olha só quem está de olho!

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Piores são os cartazes de “Só Goku Salva!”

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Quem é mesmo o ignorante?

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Quanto ódio e preconceito!

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Então ele alegou que a conta foi “hakeada” e depois avisou que tinha deletado o perfil. Agora pense, como foi “hakeado” se ele conseguiu entrar na conta para fechar? Que feio Sr. Herchcovitch!

IMPRIME E VAI!

24 jun

Dica para  pessoas práticas: um Tumblr cheio de ideias para seus cartazes nas manifestações que estão ocorrendo nessas terras  tupiniquins.

A receita é simples: IMPRIME E VAI!

Alguns modelos abaixo, os quais são ótimos para camisetas. Mais em:  http://imprimeevai.tumblr.com

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As semelhanças não são meras coincidências.

21 jun

Análise pessoal das manifestações do Brasil…
Por Thiago Almeida de Oliveira

Todos nós assistimos a uma série de protestos que eclodiram país afora. Mas protesto somente não muda um país. Nosso ‘buraco’ é mais embaixo… Sem mudança individual, não existe mudança coletiva. Caso alguma ‘revolução’ política-social aconteça sem uma mudança individual de nossos cidadãos, não é revolução, é golpe.
Hoje, dia vinte de junho do ano de dois mil e treze, tive o dissabor de comparecer à uma das centenas de manifestações que eclodem no nosso país, na minha cidade natal Goiânia, capital do meu Estado de Goiás. É minha gente, vocês não leram errado. O que vi só me trouxe mais descrença em relação à nossa pífia sociedade.

Digo isso com a maior tranquilidade. Deparei-me com uma multidão perdida, sem rumo, sem liderança, sem crença e sem ideais. Crianças, jovens adolescentes, adultos e idosos sem a menor noção do que estavam fazendo ali, ou melhor, sem saber o que fazer, quais ações poderiam tomar para REALMENTE mudar nosso país e o nosso mundo. Tenho certeza que muda-se a cidade, mas o cenário é o mesmo.

Garotas vestidas com blusas ?abercrombie? e bermudas ?lacoste? fabricadas provavelmente às custas do trabalho escravo de algum Chinês ou Peruano, jovens gritando palavras de ódio contra a polícia (como se a instituição da polícia não fizesse parte da sociedade e seus integrantes, a maioria deles, não estivessem passando junto com a gente por toda essa merda e por todos os problemas que infligem a mesma), curtindo um “baseadinho? (financiando o tráfico), uma cervejinha gelada (a pior droga de todas) e azarando as ?gatinhas?, que vira e mexe, faziam pose pra foto do ?facebook?. Meninos e meninas da periferia com cara de perdidos ou deslocados, alguns outros se portando como se estivessem à caça de uma oportunidade pra fazer um ?ganho?, pra fazer ?uma boa?, senhores idosos com o olhar distante, como se estivessem tentando entender o que se passava, relembrando seus velhos tempos de glória, ou talvez acessando suas mais remotas memórias de uma outra época e de um país totalmente diferente do que temos hoje, metaleiros, punks, baderneiros e arruaceiros de plantão à espera de um início de confusão ou quebra-pau, e por aí vai. Poderia ficar aqui o dia todo ilustrando minha experiência social, mas este não é o ponto. Enquanto isso, no movimentar da multidão, iam TODOS, jogando lixo no chão (bituca e embalagens de cigarro, latinha de cerveja, garrafinhas de água y otras cositas más…), mijando nas esquinas ou nos becos, conversando sobre o “jogão” da copa das confederações entre Itália e Japão ou sobre alguma outra bestialidade, toda essa cena aliada à horrorosa trilha sonora do carro de som, que ora tocava música (lixo) pra galera curtir, ora era usado por algum ?líder? estudantil que mal sabe quem foi Martin Luther King Jr., piorou o que se passa no nosso país, no mundo afora ou ao menos seu papel e seu lugar na sociedade atual. Um bando de alienados psico-intelectualmente escravizados. Quem tem o mínimo de cultura própria e massa cinzenta não aguenta quinze minutos daquela bosta.

Esse é o problema do povão. Não sabem (ou não querem) fazer diferente ou fazer a diferença. Querem mudança e revolução sem esforço, como se um dia a gente se reunisse e no outro, tudo estaria como e onde deveria estar. São todos iguais. E quando são diferentes, são ?iguais-diferentes? (ou ?diferentes-iguais?, tanto faz). Não querem melhorar como pessoas e como seres humanos. Querem mais é viver essa vidinha de merda mesmo. E não me vem com desculpa que é por falta de educação e de cultura porque a internet taí, inundada de informações úteis, maravilhosas, essenciais para a melhoria e evolução da vida em sociedade, mas ninguém acessa. Vivemos uma nova era tecnológica com bilhões de tera-multi-bites de livros, fotos e arquivos cheios de riquezas informativas-culturais das mais diversas, mas é tudo muito chato! O negócio é mostrar que fui lá na passeata, que fiz a diferença, que ?lutei? pelo meu país, e mais tarde postar minha fotinha no ?Face?, claro, junto a alguma frase formada que pode até soar linda, mas que sem ações concretas, não serve e não adianta de nada.

O Youtube é outra ferramenta rica em cultura, música de qualidade, documentários maravilhosos sobre as antigas civilizações, arte, turismo, autoconhecimento, filantropia, mas não. Legal é ver o novo clipe do Luan Santana, quase trinta milhões de acessos… É ver se alguém ?curtiu? meu post ou meu último ?upload?, aquela foto da gatinha de biquíni (não que eu não goste…) ou se alguém comentou da foto que tirei na festa de não sei quem, que aconteceu não sei aonde… Escândalo do mensalão? A maioria nem sabe como funcionou e o que realmente aconteceu, seus pares e envolvidos. Crimes da Nestle? Nunca ouvi falar, nem na televisão apareceu… Trilho made-in-china da ferrovia Norte-sul? Deve ser bom né, até meu ?iphone? é made-in-china também… Crimes da Eternit? Que crime que nada rapaz, a telha é boa, é a mesma que eu tenho lá em casa! Doutor Roberto Marinho? Essa é fácil, era o dono da Globo né?! Deve ter sido um cara legal (nem doutor em nada era o bandido…). Rockefeller? Sei nem quem é… É cantor de rock? Jânio Quadros? (Jânio quem???)Carnegie? Será um nome de algum prato chique de carne? Bilderberg Group? Deve soar pra eles como o que será? Nome de algum grupo eletrônico ou de ?new wave? da década de 80? Nem imagino, e pra falar a verdade, não quero nem saber.

Sempre achei que os monstros capitalistas eram um bando de sanguinários, responsáveis pelas maiores atrocidades do planeta, destruidores de famílias, lares e nações, mas agora vejo que pior, muito pior do que eles é o povo. Esse sim é o verdadeiro monstro que engole o nosso planeta e a nossa esperança de um mundo melhor. Povo que não admite e não aceita mudar seus hábitos em prol de uma vida e de um mundo melhor pra todos. Pequenos, mesquinhos, individualistas e egoístas. Pessoas que não estão dispostas a mudar seus pensamentos nem a si próprias, quanto mais o mundo em que vivem. Não querem mudar sua forma de vestir, de comer, de pensar, de falar, de agir, de querer, de experimentar. Povo que julga, mas não aceita ser julgado e que por muitas vezes, não admitem seus erros e não aceitam seus defeitos, quem dirá aprender com eles… Como que essa gente pretende mudar alguma coisa? Tenho até medo da sociedade ideal desse povo.

Entendo que muito foi negado a essa gente, mas isso não é mais desculpa nos dias de hoje. Estamos na era da informação digital, que corre o planeta na velocidade da luz. De cabo a rabo. De canto a canto. Podemos acessar e obter dados sobre qualquer coisa que quisermos, pra todos os gostos, idades e tamanhos, isso na ?surface web?, na ?deep web? então tem coisa que até Deus duvida. Quem não sabe o que é, pesquise. A curiosidade é uma arma de um poder imenso, infinito. Esse é o meu ponto. Parece que essa gente só dirige ou foca suas curiosidades em coisas fúteis, sem conteúdo, sem peso nem medida. Qualquer quebrada, beco, favela tem uma lan house. Ou quando não, sempre algum membro da família tem acesso a internet em casa ou em um de seus celulares ?xing-ling? que se brincar hoje, são mais numerosos que a nossa própria população.

Mas porra, que cara chato! Tanta coisa boa e legal aconteceu nos últimos dias e esse doido aqui falando esse monte de merda! Tamanha demonstração de força por parte do povo, todo mundo na rua reivindicando melhorias na saúde, na educação, no transporte público… Beleza, tudo bem, toda essa movimentação teve seu lado bom sim, tenho que admitir. O povo viu que a união faz a força. Agora só precisam descobrir como e o que fazer com todo o resto. O que realmente aconteceu foi só ?movimentação?, nada mais. Precisam agora descobrir onde moram os verdadeiros ?chefões? de todos os cartéis e feudos espalhados pelo nosso Brasil e pelo mundo afora, e tentarem chegar a uma conclusão por si mesmos sobre o que fazer e que ações tomar para realmente mudar devagarzinho nosso pequenino planeta e suas pequeninas vidas. Porque segunda-feira tá chegando, todo mundo tem que ir trabalhar, e a passagem pode até ter abaixado, mas o motorista do ônibus não espera não, e o patrão muito menos…

O “GIGANTE” acordou! E agora? Café-da-manhã?

21 jun
Temos a faca e o queijo na mão, mas parece que a faca não está muito afiada e o queijo, já adormecido, custa a permitir que sua dura casca seja violada.
“O gigante acordou!”, esta é uma das frases que mais se fez presente nas últimas manifestações, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. No entanto, se realmente o bordão é verdadeiro, e felizmente acho que sim, a questão é: o que fará este gigante? Depois de uma bela noite de sono, acordará e tomará café da manhã? Lerá o jornal, acessará o facebook, irá trabalhar, estudar, irá para a academia ou sei lá o quê e, mais à frente, almoçará, jantará e voltará a dormir?
Li em algum lugar que, provavelmente, se alguém sugerisse que o Brasil, há algumas semanas, vivenciaria manifestações desta magnitude provavelmente receberia a pecha de lunático ou algo semelhante. Concordo. Ainda estamos atônitos com mais e mais pessoas tomando as ruas de todo o país e bradando por melhores condições de vida. Isso é ótimo, sem dúvida, mas o que faremos com tudo isso?
Pelo que vejo na grande mídia, o movimento é composto majoritariamente de estudantes, universitários e secundaristas, que se movem muito mais por uma vontade de estarem juntos do que, de fato, para promoverem alguma mudança substancial nas estruturas políticas e econômicas de nosso país. A fauna é abundante, mas prevalece um tipo de jovem que, ao menos na indumentária e genotipicamente, é o mesmo das baladas e micaretas, dos sertanejos, e dos shows de rock indie.
A maioria é branca, se veste muito bem, com as roupas da moda, e exibe sem problemas suas mais novas aquisições tecnológicas. Possuem um jeito “descolado”, caminham de forma descontraída e risonha, como se a manifestação fosse mais um evento qualquer, um grande show ou uma longa caminhada solidária promovida por alguma entidade beneficente.
Apesar de todas as críticas que possamos fazer a muitos destes movimentos, sabemos que a sua principal força de coesão sempre foi a vontade de mudar o status quo, com objetivos muito claros e, principalmente, estratégias de ação.
Não sinto isso nos protestos de hoje. Infelizmente, uma mistura de carnaval e de apolitização é o que prevalece. Faltam objetivos claros, faltam formas coerentes de ação, falta vontade e garra para mudar o sistema.
Temos a faca e o queijo na mão, mas parece que a faca não está muito afiada e o queijo, já adormecido, custa a permitir que sua dura casca seja violada.
Escrevo estas toscas linhas, reflexões baratas de alguém que volta para casa após um dia de caminhadas pela cidade sem limites (este é o slogan utilizado nos ônibus da cidade), com os ecos dos cânticos ufanistas ainda ribombando em meus ouvidos para conclamar a todos que acreditam em um projeto revolucionário para se juntarem.
Esquerda real, socialista, com projetos tanto de tomada quanto de estabelecimento de um novo poder, una-se e tome a frente deste movimento, apareça de fato e politize essa geração tão cheia de vontades e tão incapaz de apresentar qualquer coisa de concreto!
Não percamos o bonde da história, mostremos nossa força e utilizemos nossas melhores armas: a razão e a paixão!
Façamos com que as nossas bandeiras históricas, sempre pautadas pela melhoria da vida da grande massa oprimida, sejam as que tremulem.
Para não ficar no nível discursivo, proponho que os partidos da esquerda real convoquem seus militantes para promoverem reuniões em todo o país e criarem, imediatamente, uma agenda mínima em nível nacional, advinda das propostas colhidas nas bases!
A Revolução chegou, mas se não agirmos logo, ela irá embora…
Texto extraído da Central de Mídia Independente
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