As semelhanças não são meras coincidências.

21 jun

Análise pessoal das manifestações do Brasil…
Por Thiago Almeida de Oliveira

Todos nós assistimos a uma série de protestos que eclodiram país afora. Mas protesto somente não muda um país. Nosso ‘buraco’ é mais embaixo… Sem mudança individual, não existe mudança coletiva. Caso alguma ‘revolução’ política-social aconteça sem uma mudança individual de nossos cidadãos, não é revolução, é golpe.
Hoje, dia vinte de junho do ano de dois mil e treze, tive o dissabor de comparecer à uma das centenas de manifestações que eclodem no nosso país, na minha cidade natal Goiânia, capital do meu Estado de Goiás. É minha gente, vocês não leram errado. O que vi só me trouxe mais descrença em relação à nossa pífia sociedade.

Digo isso com a maior tranquilidade. Deparei-me com uma multidão perdida, sem rumo, sem liderança, sem crença e sem ideais. Crianças, jovens adolescentes, adultos e idosos sem a menor noção do que estavam fazendo ali, ou melhor, sem saber o que fazer, quais ações poderiam tomar para REALMENTE mudar nosso país e o nosso mundo. Tenho certeza que muda-se a cidade, mas o cenário é o mesmo.

Garotas vestidas com blusas ?abercrombie? e bermudas ?lacoste? fabricadas provavelmente às custas do trabalho escravo de algum Chinês ou Peruano, jovens gritando palavras de ódio contra a polícia (como se a instituição da polícia não fizesse parte da sociedade e seus integrantes, a maioria deles, não estivessem passando junto com a gente por toda essa merda e por todos os problemas que infligem a mesma), curtindo um “baseadinho? (financiando o tráfico), uma cervejinha gelada (a pior droga de todas) e azarando as ?gatinhas?, que vira e mexe, faziam pose pra foto do ?facebook?. Meninos e meninas da periferia com cara de perdidos ou deslocados, alguns outros se portando como se estivessem à caça de uma oportunidade pra fazer um ?ganho?, pra fazer ?uma boa?, senhores idosos com o olhar distante, como se estivessem tentando entender o que se passava, relembrando seus velhos tempos de glória, ou talvez acessando suas mais remotas memórias de uma outra época e de um país totalmente diferente do que temos hoje, metaleiros, punks, baderneiros e arruaceiros de plantão à espera de um início de confusão ou quebra-pau, e por aí vai. Poderia ficar aqui o dia todo ilustrando minha experiência social, mas este não é o ponto. Enquanto isso, no movimentar da multidão, iam TODOS, jogando lixo no chão (bituca e embalagens de cigarro, latinha de cerveja, garrafinhas de água y otras cositas más…), mijando nas esquinas ou nos becos, conversando sobre o “jogão” da copa das confederações entre Itália e Japão ou sobre alguma outra bestialidade, toda essa cena aliada à horrorosa trilha sonora do carro de som, que ora tocava música (lixo) pra galera curtir, ora era usado por algum ?líder? estudantil que mal sabe quem foi Martin Luther King Jr., piorou o que se passa no nosso país, no mundo afora ou ao menos seu papel e seu lugar na sociedade atual. Um bando de alienados psico-intelectualmente escravizados. Quem tem o mínimo de cultura própria e massa cinzenta não aguenta quinze minutos daquela bosta.

Esse é o problema do povão. Não sabem (ou não querem) fazer diferente ou fazer a diferença. Querem mudança e revolução sem esforço, como se um dia a gente se reunisse e no outro, tudo estaria como e onde deveria estar. São todos iguais. E quando são diferentes, são ?iguais-diferentes? (ou ?diferentes-iguais?, tanto faz). Não querem melhorar como pessoas e como seres humanos. Querem mais é viver essa vidinha de merda mesmo. E não me vem com desculpa que é por falta de educação e de cultura porque a internet taí, inundada de informações úteis, maravilhosas, essenciais para a melhoria e evolução da vida em sociedade, mas ninguém acessa. Vivemos uma nova era tecnológica com bilhões de tera-multi-bites de livros, fotos e arquivos cheios de riquezas informativas-culturais das mais diversas, mas é tudo muito chato! O negócio é mostrar que fui lá na passeata, que fiz a diferença, que ?lutei? pelo meu país, e mais tarde postar minha fotinha no ?Face?, claro, junto a alguma frase formada que pode até soar linda, mas que sem ações concretas, não serve e não adianta de nada.

O Youtube é outra ferramenta rica em cultura, música de qualidade, documentários maravilhosos sobre as antigas civilizações, arte, turismo, autoconhecimento, filantropia, mas não. Legal é ver o novo clipe do Luan Santana, quase trinta milhões de acessos… É ver se alguém ?curtiu? meu post ou meu último ?upload?, aquela foto da gatinha de biquíni (não que eu não goste…) ou se alguém comentou da foto que tirei na festa de não sei quem, que aconteceu não sei aonde… Escândalo do mensalão? A maioria nem sabe como funcionou e o que realmente aconteceu, seus pares e envolvidos. Crimes da Nestle? Nunca ouvi falar, nem na televisão apareceu… Trilho made-in-china da ferrovia Norte-sul? Deve ser bom né, até meu ?iphone? é made-in-china também… Crimes da Eternit? Que crime que nada rapaz, a telha é boa, é a mesma que eu tenho lá em casa! Doutor Roberto Marinho? Essa é fácil, era o dono da Globo né?! Deve ter sido um cara legal (nem doutor em nada era o bandido…). Rockefeller? Sei nem quem é… É cantor de rock? Jânio Quadros? (Jânio quem???)Carnegie? Será um nome de algum prato chique de carne? Bilderberg Group? Deve soar pra eles como o que será? Nome de algum grupo eletrônico ou de ?new wave? da década de 80? Nem imagino, e pra falar a verdade, não quero nem saber.

Sempre achei que os monstros capitalistas eram um bando de sanguinários, responsáveis pelas maiores atrocidades do planeta, destruidores de famílias, lares e nações, mas agora vejo que pior, muito pior do que eles é o povo. Esse sim é o verdadeiro monstro que engole o nosso planeta e a nossa esperança de um mundo melhor. Povo que não admite e não aceita mudar seus hábitos em prol de uma vida e de um mundo melhor pra todos. Pequenos, mesquinhos, individualistas e egoístas. Pessoas que não estão dispostas a mudar seus pensamentos nem a si próprias, quanto mais o mundo em que vivem. Não querem mudar sua forma de vestir, de comer, de pensar, de falar, de agir, de querer, de experimentar. Povo que julga, mas não aceita ser julgado e que por muitas vezes, não admitem seus erros e não aceitam seus defeitos, quem dirá aprender com eles… Como que essa gente pretende mudar alguma coisa? Tenho até medo da sociedade ideal desse povo.

Entendo que muito foi negado a essa gente, mas isso não é mais desculpa nos dias de hoje. Estamos na era da informação digital, que corre o planeta na velocidade da luz. De cabo a rabo. De canto a canto. Podemos acessar e obter dados sobre qualquer coisa que quisermos, pra todos os gostos, idades e tamanhos, isso na ?surface web?, na ?deep web? então tem coisa que até Deus duvida. Quem não sabe o que é, pesquise. A curiosidade é uma arma de um poder imenso, infinito. Esse é o meu ponto. Parece que essa gente só dirige ou foca suas curiosidades em coisas fúteis, sem conteúdo, sem peso nem medida. Qualquer quebrada, beco, favela tem uma lan house. Ou quando não, sempre algum membro da família tem acesso a internet em casa ou em um de seus celulares ?xing-ling? que se brincar hoje, são mais numerosos que a nossa própria população.

Mas porra, que cara chato! Tanta coisa boa e legal aconteceu nos últimos dias e esse doido aqui falando esse monte de merda! Tamanha demonstração de força por parte do povo, todo mundo na rua reivindicando melhorias na saúde, na educação, no transporte público… Beleza, tudo bem, toda essa movimentação teve seu lado bom sim, tenho que admitir. O povo viu que a união faz a força. Agora só precisam descobrir como e o que fazer com todo o resto. O que realmente aconteceu foi só ?movimentação?, nada mais. Precisam agora descobrir onde moram os verdadeiros ?chefões? de todos os cartéis e feudos espalhados pelo nosso Brasil e pelo mundo afora, e tentarem chegar a uma conclusão por si mesmos sobre o que fazer e que ações tomar para realmente mudar devagarzinho nosso pequenino planeta e suas pequeninas vidas. Porque segunda-feira tá chegando, todo mundo tem que ir trabalhar, e a passagem pode até ter abaixado, mas o motorista do ônibus não espera não, e o patrão muito menos…

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