O “GIGANTE” acordou! E agora? Café-da-manhã?

21 jun
Temos a faca e o queijo na mão, mas parece que a faca não está muito afiada e o queijo, já adormecido, custa a permitir que sua dura casca seja violada.
“O gigante acordou!”, esta é uma das frases que mais se fez presente nas últimas manifestações, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. No entanto, se realmente o bordão é verdadeiro, e felizmente acho que sim, a questão é: o que fará este gigante? Depois de uma bela noite de sono, acordará e tomará café da manhã? Lerá o jornal, acessará o facebook, irá trabalhar, estudar, irá para a academia ou sei lá o quê e, mais à frente, almoçará, jantará e voltará a dormir?
Li em algum lugar que, provavelmente, se alguém sugerisse que o Brasil, há algumas semanas, vivenciaria manifestações desta magnitude provavelmente receberia a pecha de lunático ou algo semelhante. Concordo. Ainda estamos atônitos com mais e mais pessoas tomando as ruas de todo o país e bradando por melhores condições de vida. Isso é ótimo, sem dúvida, mas o que faremos com tudo isso?
Pelo que vejo na grande mídia, o movimento é composto majoritariamente de estudantes, universitários e secundaristas, que se movem muito mais por uma vontade de estarem juntos do que, de fato, para promoverem alguma mudança substancial nas estruturas políticas e econômicas de nosso país. A fauna é abundante, mas prevalece um tipo de jovem que, ao menos na indumentária e genotipicamente, é o mesmo das baladas e micaretas, dos sertanejos, e dos shows de rock indie.
A maioria é branca, se veste muito bem, com as roupas da moda, e exibe sem problemas suas mais novas aquisições tecnológicas. Possuem um jeito “descolado”, caminham de forma descontraída e risonha, como se a manifestação fosse mais um evento qualquer, um grande show ou uma longa caminhada solidária promovida por alguma entidade beneficente.
Apesar de todas as críticas que possamos fazer a muitos destes movimentos, sabemos que a sua principal força de coesão sempre foi a vontade de mudar o status quo, com objetivos muito claros e, principalmente, estratégias de ação.
Não sinto isso nos protestos de hoje. Infelizmente, uma mistura de carnaval e de apolitização é o que prevalece. Faltam objetivos claros, faltam formas coerentes de ação, falta vontade e garra para mudar o sistema.
Temos a faca e o queijo na mão, mas parece que a faca não está muito afiada e o queijo, já adormecido, custa a permitir que sua dura casca seja violada.
Escrevo estas toscas linhas, reflexões baratas de alguém que volta para casa após um dia de caminhadas pela cidade sem limites (este é o slogan utilizado nos ônibus da cidade), com os ecos dos cânticos ufanistas ainda ribombando em meus ouvidos para conclamar a todos que acreditam em um projeto revolucionário para se juntarem.
Esquerda real, socialista, com projetos tanto de tomada quanto de estabelecimento de um novo poder, una-se e tome a frente deste movimento, apareça de fato e politize essa geração tão cheia de vontades e tão incapaz de apresentar qualquer coisa de concreto!
Não percamos o bonde da história, mostremos nossa força e utilizemos nossas melhores armas: a razão e a paixão!
Façamos com que as nossas bandeiras históricas, sempre pautadas pela melhoria da vida da grande massa oprimida, sejam as que tremulem.
Para não ficar no nível discursivo, proponho que os partidos da esquerda real convoquem seus militantes para promoverem reuniões em todo o país e criarem, imediatamente, uma agenda mínima em nível nacional, advinda das propostas colhidas nas bases!
A Revolução chegou, mas se não agirmos logo, ela irá embora…
Texto extraído da Central de Mídia Independente

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